5. Psicografia - Pródomo da Morte

    Comunicação feita a um dos federados do F.E.C., em 18 de dezembro de 1899, pelo seu espírito familiar, à pessoa nos seus derradeiros momentos que precedem a desencarnação e reportado a ele enquanto assistia:

- Pergunta: Todos sofremos muito ao morrer?
- Espírito: Conforme cada um.
- Pergunta: Você pode dar as explicações mais importantes sobre este tema?
- Espírito: De bom grado. Os sofrimentos físicos na hora do derradeiro momento da vida material são inerentes ao estado do espírito.

    Quando uma pessoa de bem chega ao seu derradeiro momento da vida corporal, nela se produz uma espécie de bem-estar interior que se reflete sobremaneira nos traços da sua fisionomia.
    Aqueles, contraídos pela doença, relaxam-se. O rosto ganha um ar de calma e de repouso. Os sofrimentos do corpo são dominados pela serenidade da alma. O paciente irá chegar à sua derradeira hora, com a satisfação proporcionada na esperança da recompensa de uma vida bem cumprida.
    Para o espírito convicto, a morte é mais suave ainda, pois ele não está obsediado pela crença de castigos quiméricos. Ele sabe de antemão que a vinda dela atende e se congratula de ter chegado ao termo de suas provações.
Sua fé o faz submeter e dominar os seus sofrimentos com a mesma energia, a mesma força que os mártires antigos revelavam enquanto cantavam, em meio às milhares torturas, de que apenas o relato já basta para apavorar.
    Sem dúvida, o homem honesto, de qualquer crença a que pertença, começa à sua última hora a provar a joia que resulta de uma existência irrepreensível. Mas, o espírito em certo sentido sendo estranho a esta crença tem subsídio que ele sabe ou ele sucumbe e pressente mais seu destino futuro. Ele, em relação àquele que ignora o Espiritismo, é como aquele que ao fazer uma viagem dentro de um país incomum, sem outro meio de se dirigir, lhe resta o da resignação imperfeita, comparado a um outro viajante já munido de um bom mapa.
    Eis, brevemente, assim que é em geral a morte do justo.
    Entretanto, veja: quais os derradeiros momentos de um encarnado com que estando viciado, injusto, perverso, cruel, egoísta, avaro, etc., em uma palavra, de um ser ainda em fuga do bem e na prática do mal com a intenção de prejudicar.
    Todas as fases da sua vida se apresentam ao seu espírito. Os remorsos o sufocam. A crença do futuro o apavora. Os sofrimentos causados pela maldade se somam à angústia de sua consciência. Ele se agarra desesperadamente à vida, sentindo pela intuição que a hora do castigo se aproxima.
    Ele às vezes suplica e apela pelo socorro da religião, mas ela é incapaz de devolver-lhe a calma. Tem o pressentimento de um futuro penoso e luta como um possuído para o subtrair.
    Ele se encontra em um dado momento, como em um pesadelo que entrou e tornado à semelhança de um redemoinho assustador. Estas não são as penas do enfermo das quais estamos a lhe falar que assombram sua imaginação; ele sente que são de outros, sofrimentos os quais desconhece e é por isso uma causa de angústia atroz.
    Ele está, guardadas todas as proporções, na mesma situação da comparada a um homem honesto, como o são os exemplos na história da humanidade:
Vejam um justo condenado por um erro à pena capital; ele demonstra no derradeiro momento uma coragem resignada que espanta, enquanto que o criminoso que vai galgar à sua pena, é reiteradamente amedrontado pela proximidade da morte, que ainda não aconteceu, mas, amiúde, sob o terror da execução, o que aparenta em todo o seu corpo, como meio cadáver.
    Quanto aos incrédulos, aqueles que estão lutando contra as ideias de crenças sugeridas pela sua consciência, se eles adotam uma postura como humanos e compassivos, seus últimos momentos são menos cruéis que os da categoria anterior. Eles estão, contudo, estritamente na dúvida que os assalta. Eles se recorrerem inteiramente a partir da consideração que o fazem mostrar. Às vezes eles se arrependem e não passam mesmo desejando aprender o que concerne ao seu futuro, nas leis do lado de lá. Eles se entregam a um confessor, muitas vezes o mais impotente, para os tranquilizar.
    Outros obedecem a uma maneira de amor próprio, não ousam admitir seu medo do desconhecido e sofrem sem conseguir a consolação. Para eles, a morte é um suplício que eles veem chegar com uma apreensão torturante. Esta apreensão se ajusta aos sofrimentos da maldade e torna os últimos momentos fortes e dolorosos. Mas saiba que esta última categoria é infinitamente menor do que supomos geralmente. Muito poucas criaturas humanas são bastante prepotentes para destruir nelas mesmas a ideia inata de uma Divindade e da imortalidade da alma.

Pergunta: Que conclusão você tem do exposto?
Espírito: Eu concluo que o homem racional deve regrar sua vida material de tal sorte que as provas inerentes a sua natureza deve ele tornar lucrativas para o futuro. Agindo dessa forma, a morte lhe aparecerá não como uma infelicidade, mas, ao contrário, a verá chegar com uma satisfação sincera o termo de sua encarnação.

    Se há para ele a chance de ter as condições de poder estudar o Espiritismo e se sentir livre mediante este estudo, ele receberá a recompensa pela serenidade; como aquele que considera o futuro um mundo que não será para ele incomum, e sua volta será confortada pela certeza de não ser inteiramente separado de seu amor. Enfim, o espírito saberá que após esta desencarnação ele é destinado a viver, da verdadeira e da melhor vida.

Pergunta: Você pode dar prova desta última frase?
Espírito: O sonâmbulo lúcido que, no seu sono magnético, enquanto seu espírito é em parte livre do corpo, vê à distância, e diz as coisas conforme a consciência ao estado de vigília, não é uma prova consagrada!?

    De resto, veja, estudem, meditem, encontrem o merecimento sinceramente, de boa-fé e sem parcialidade, e vocês encontrarão as provas de tudo o que o Espiritismo ensina. Para ele, não existe maior mistério do que o fato de que não existem penas eternas.
    Eu estou contente de me achar em vossa companhia, e me foi um prazer vos ajudar na sua instrução espírita, para vosso bem e o bem público.

Assinado: EBFA
Conforme cópia textual: JEAN DE PIERREFONT
Tradução livre do COMUNICADO, recebido na sessão mediúnica no em Paris, publicado no “Le Progrès Spirite”, “Órgane de Propagande de la DoctrineSpirite, fundeé par Allan Kardec, cujo editor chefe é A. Laurent de Faget, na edição de número 2, datada de 20 de Janeiro de 1900, no 6. ano de edição. Conforme original.