8. Psicografia - Federação Espírita Universal - Fevereiro

    Comunicação obtida no domingo, 03 de fevereiro de 1895:

    Agradeço a vocês, irmãos e irmãs que, nestas horas difíceis, reúnem-se sob a bandeira do espiritismo: essa ideia que defendem nesta crise, a qual trouxe prova em prol não somente dos ataques dos incrédulos, como também das divergências internas.
    Deve-se a isso por que sua alma é perturbada, uma vez que é a luta que afirma a vida; e o combate é a base mesmo da existência, do ser, como da ideia.
    Do choque das inteligências, da contradição mesma, nasce a luz; as oposições são necessárias às doutrinas nascentes, a todas as religiões e a todas as filosofias. A seus iniciantes, são trazidas todas essas dificuldades.
    Vocês triunfarão, porque o espiritualismo é indispensável à renovação da sociedade, a qual ele se impõe, e a cada um que o sente chegar.
    A cada ciclo religioso que termina com a decadência das igrejas cristãs, sucede, fatalmente, um novo ciclo em harmonia com uma nova sociedade.
    O espiritismo será, na verdade, o temor, pela sua duração, se a ordem social, num perfeito equilíbrio, não demandar nada de novo. Com as crises atuais, ele é tudo o que é esperado, porque ele vem trazer a solução às questões sociais, trazendo, também, a sua fé moral e científica, que o materialismo não as pode dar, nem as formas religiosas as quais ainda existem. Que suas obras, sejam, então, firmes; e que seu espírito se eleve acima das causas terrestres, remontando à causa suprema, somente a Deus que, então, com o seu dedo, marca, em cada ser, em cada povo, em cada humanidade, o caminho que deverá ser percorrido nos campos do infinito. Dizem vocês que, no alto e acima, na serenidade dos astros, paira o espírito divino, que orquestra aos homens e os desenha. E esse mesmo espírito dirige os homens, sem titubear, em direção ao reino da luz.
    Que cada um de vocês, em si mesmo, faça o seu dever, devendo melhorar, dia a dia, e ser ainda mais digno e que, ao descansar, deve reportar-se àquele que governa os mundos e age nos universos, sob os desígnios de Sua vontade.
    Oh! Vocês, que são nascidos na terra, que se engajam na luta diária de suas vidas materiais, porque suas almas não podem, como a nossa, contemplar a majestade do plano divino. Ah! Se suas visões pudessem abarcar, no eterno presente, o passado e o futuro, então vocês compreenderiam o senso das evoluções humanas, a marcha progressiva das gerações em direção ao bem. Vocês sentiriam a concordância perfeita de todas as partes do plano e, por vezes, vocês, desconsertados nas faltas e nos erros dos homens, apareceriam como a sombra necessária, oposta à luz divina, para melhor afirmar o brilho.
    Mas os homens são demasiadamente engajados em suas lutas pessoais na pequena cota do plano divino e, por sentir em todas estas poderosas decisões, então se perturbam, hesitam, se irritam das dificuldades que encontram; sua fé enfraquece. Com isso, a sua confiança se altera e, então, são tentados a resmungar.
    Oh! Não resmunguem, nem mesmo nas horas mais críticas; pois podem vocês perscrutar as causas secretas que lhes impulsionam?
    Se em suas consciências e seu louvor próprio, não reprovam, ou ainda, desertam, ou mesmo ainda não se acovardam; vocês possuem então o sentimento do dever cumprido sob o suave triunfo de sua causa numa dada época.
    Vocês deverão contribuir, vocês mesmos, com uma pedra neste edifício secular que os homens elevam laboriosamente à Verdade eterna, o templo maravilhoso, cujos fundamentos estão mergulhados nos mais profundos dos séculos passados, e cujo feito glorioso é vislumbrado num futuro próximo.
    Oh! Meus irmãos! Não pensem que nossa obra é estéril; ela é vista pelos acontecimentos exteriores que afirmam sua grande realidade.
    E os pensamentos cultivados com vocês serão capazes, se propagados dia a dia, essa ideia crescerá, e os pensamentos mais nobres e superiores serão fontes diárias. Com isso, o povo fervilhará em nome da Justiça, num mundo decomposto que se desagrega ao ser minado pelas reivindicações legítimas daqueles que sofrem, estando à frente dos sinais precursores de um grito social, que cada um adotará e respeitará.
    Não é em vão que a inquietude segura os homens no despertar. Aqueles que sentem, eles sentem que alguma coisa grande ou terrível irá acontecer, e o seu coração se torna, pouco a pouco, transformado e, além de misterioso, parece ter, em seus véus, o futuro.
    Movimento intenso, movimento geral, força silenciosa a da ideia que mina a falsa grande bagagem, e que tudo, em pouco, contraria o brilho triunfante, devido à recuperação do homem e à glória do Espírito.
    Então vocês serão recompensados por seus esforços e terão um justo mérito e serão orgulhosos desta obra que aura da nova revelação de Deus no mundo.
    Um guia.

(Médium J.D.)
Tradução livre do COMUNICADO, recebido na sessão mediúnica no pequeno grupo em Paris, publicado no “Le Progrès Spirite”, “Órgane de Propagande de la Doctrine Spirite, fundeé par Allan Kardec, cujo editor chefe é A. Laurent de Faget, na edição de número 4, datada de Abril de 1895, no 1º ano de edição. Conforme original.